quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Resenha {Conto} Antes do agora (Gleice Couto)

Sinopse: As primeiras experiências marcam. Elas são únicas. Não precisam ser perfeitas.
ANTES. O primeiro beijo. O primeiro porre. A primeira transa. Júlia e Gustavo vivenciaram muitas de suas primeiras experiências juntos. Amigos desde crianças, compartilharam medos e anseios, alegrias e desilusões... E também algumas marcas que tentaram disfarçar até o agora.
AGORA. Quase três anos após o último contato, eles se reencontram na faculdade. Tentando lidar com o presente, mas sem conseguir se desvencilhar por completo do passado, Júlia e Gustavo serão capazes de viver uma nova primeira vez?

Esse conto faz parte do projeto Contar & Criar
Falei mais sobre ele no meu outro post. Para ler, basta clicar aqui ;)
E mais uma vez leio um livro arrebatador que fiquei outra vez a beira de uma ressaca literária em que só da pra pensar sobre o que você acabou de ler. Assim como foi em Desaparecidas, tive que reler várias vezes a mesma coisa, e que também relerei em breve, porque esse livro tem um plot twist do tipo vendaval! Fui levada para um lugar em que não sabia onde poderia dar sem ter tempo de me recuperar, e acho que com certeza foi pelo fato de ter lido rápido demais, em uma sentada no trem em viagem de volta para o meu bairro, logo depois do evento de lançamento dos contos aqui no Rio.

Uma coisa que a Gleice comentou nesse evento foi que o livro é sobre egoísmo, e mesmo em momentos em que nem imaginamos somos egoístas, e eu não estava entendendo onde ela queria chegar com esse pensamento até terminar e ver que o motivo estava lá o tempo todo e eu não percebi as pistas.

A minha última leitura de um conto eu realmente achei que o que atrapalhou foi a forma como foi acontecendo tudo rápido demais, tinha muita coisa pra acontecer em poucas paginas, mas aqui, mesmo com suas poucas páginas, que de certa forma faz com que tenha que tudo acontecer rápido mesmo e ainda com a minha leitura rápida (muitas coisas para processar ao mesmo tempo), foi tudo no seu devido tempo e isso se deve ao modo como a autora colocou os capítulos, que ficam intercalando com “antes” e “agora” e são ganchos para o próximo capítulo, uma ótima forma para não fazer você para de ler.

Julia e Gustavo vão remontando a relação de forma rápida e sutil, mesmo que Julia tenha a ajuda da sua psicóloga para afastar todas as lembranças ruins do passado que a deixou tão mal e fazer com que a “parede” que ela cria entre eles dois não seja derrubada, e até que chega o momento final, quando tudo fica bem outra vez, e o mistério de o porquê deles terem terminado cai em cima da gente, e com uma enorme virada, percebemos como o buraco é mesmo bem mais fundo; mas aquilo fez com que os dois amadurecem para aquele reencontro, e a melhor coisa de tudo é exatamente tudo, mas ainda assim é o pior, já que nesse momento estamos tão dentro da história e sentimos nossos corações apertados e a garganta apertada...

E foi com lágrimas que eu terminei a leitura, bem no meio do trem, e eu aposto que houve pessoas para achar graça da situação, e que eu nem preciso me esforçar muito para me lembrar da sensação e só deixar as lágrimas caírem novamente.

Eu quero que alguém crie alguma máquina onde possamos entrar nos livros e abraçar os personagens, falar que tudo vai ficar tudo bem, mesmo que agora não pareça que vai.

P.S. essa resenha foi terminada com o resto que sobrou de uma Vanessa que chorou do começo ao fim enquanto escrevia.


P.S. (2) NÃO LEIA A NOTA DA AUTORA ANTES DE LER, eu acho que ninguém lê antes, mas caso você seja esse tipo de pessoa, aguenta um pouco e logo logo você vai entender o porquê dessa recomendação.

104 páginas | 1ª edição | 2016 | Contar & Criar




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Resenha {Livro} Eleanor & Park (Rainbow Rowell)

Estava para ler esse livro desde seu lançamento, em 2014, quando comprei meu exemplar na Black Friday daquele ano, mas ele acabou sendo deixado de lado (#ShameOnMe) e agora, pleno final de 2016 enfim o li. E nossa, como eu gostei!
Eleanor & Park narra a história de dois adolescentes em plenos anos 1980 (1986, para ser mais exata) que se conhecem por acaso no ônibus escolar e passam de completos estranhos a loucamente apaixonados em pelo outro.
Bem, falando assim, a história tinha tudo para ser mais um romance adolescente clichê, não?! Pois felizmente não é o caso. Rainbow criou uma trama com sentimento, que fala do primeiro amor em meio ao caos na vida de ambos os jovens, Eleanor e Park, cada um a seu modo.

Enquanto Park, um adolescente meio-coreano, passa seus dias evitando chamar atenção na escola para não ser zoado, pois faz parte da “turma dos nerds”, e tenta agradar ao pai, um veterano de guerra amante de taekwondo, Eleanor é uma jovem fora dos padrões que sofre bullying diariamente na nova escola e sendo a mais velha de cinco filhos, recebe toda a “carga” da família desajustada: um padrasto que bate na mãe, uma mãe completamente submissa, um pai que largou os filhos e não liga pra eles e condições precárias de sobrevivência.

Então, quando Eleanor volta a morar com a mãe, o padrasto e os irmãos e vai para uma nova escola, ela conhece Park no ônibus escolar, que a princípio apenas sede o lugar vago a seu lado para a garota que julgara tão esquisita.

“Ou talvez, pensou ele mais tarde, ele não reconhecesse todas as outras garotas. Do mesmo jeito que um computador cospe fora um disquete se não lhe reconhecer o formato.
Quando tocou a mão de Eleanor, ele a reconheceu. Ele soube.”
(Rainbow Rowell, p.75)

Aos poucos, porém, os dois passam a formar uma amizade por meio de gostos em comum: enquanto Park lia seus gibis à caminho da escola, Eleanor sempre ia acompanhando a leitura; e mais tarde, quando ele descobre o que a menina fazia, passa a lhe emprestar os tantos gibis, de X-men a Watchmen, dos quais ela logo vira fã (mais dos X-men). Isso sem falar da música, que Eleanor vai conhecendo diversas canções de bandas da época, como U2 e The Smiths, através de Park, que grava fitas para ela poder sempre escutar, ao que ela se encanta por praticamente todas as músicas.
E assim a amizade vai se transformando aos poucos num amor genuíno que ambos sentem um pelo outro, o primeiro grande amor de ambos.

Repleto de referências da cultura pop da época - indo dos super-heróis às bandas famosas, e até citando Star Wars (amo ♥), Eleanor & Park surpreende pela sua simplicidade ao tratar de temas bastante delicados de maneira “inocente”, sempre aos olhos dos dois adolescentes: Eleanor e Park.
A trama se desenvolve alternando entre os dois, onde hora quem conta a história é Eleanor, hora é Park, o que achei uma sacada legal, já que assim pôde mostrar um pouco das histórias de cada um separadamente (e não apenas do romance dos dois, como costuma acontecer). Apesar disso, quem ganha destaque na história é Eleanor, cuja vida é marcada pelo que sofre em casa, o que por diversas vezes quase me levou às lágrimas (nessas horas eu só queria poder abraça-la bem forte e dizer “Vai ficar tudo bem”). E acho que foi isso que me fez gostar tanto da história: toda a situação da Eleanor; é tudo tão... real! Uma realidade que está aí, em todo lugar, mas que dá aquele sentimento de que bem lá no fundo ainda há esperança.
Um bom livro para divertir, encantar e se emocionar! Superou todas as minhas expectativas, que estavam lá em cima graças às críticas super positivas que eu encontrava por aí, e agora, mais do que nunca, quero ler todos os livros da Rainbow Rowell!!!

325 páginas | 1ª edição | 2014 | Novo Século




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

{Universo Nerd} HQ - Viúva-Negra: A Mais Delicada - Trama 1 (Jeff Smith)

“Juro solenemente não fazer nada de bom.”

Leitores da minha vida, hoje vamos falar sobre HQ. Mais especificamente a HQ da agente secreta Natasha Romanova, conhecida também como Viúva-Negra.
A HQ leva o nome Viúva-Negra e possui duas histórias. A primeira, chamada “Black Window”, tem a arte assinada pelo Phil Noto e com roteiro de Nathan Edmondson. Nessa edição foram publicadas as seis primeiras partes dessa aventura que mostra uma Romanoff tentando se redimir de seus erros no passado, mas que acaba encontrando um fanático que se autodenomina “o Martelo de Deus”.
“Quando não está atuando ao lado dos Vingadores ou trabalhando para a SHIELD, Natasha Romanova, a Viúva-Negra, dedica seu tempo a uma cruzada mundial para expiar os pecados cometidos quando era a melhor e mais letal agente da KGB. Mas em seu caminho surge um fanático insano que se autodenomina o Martelo de Deus; apenas o primeiro sinal de uma terrível conspiração que se aproxima. Quem está por trás do Caos inescapável que ameaça envolver todo o globo?” (Sinopse retirada da HQ.)
A segunda história se chama ”All-New Marvel Now! Point One 1”, de Salvador Larroca e Laura Martin. É uma história bem curta, aparecendo no final da HQ e que contou uma aventura pequena da Viúva-Negra. Essa eu não gostei, não achei nada interessante.
Capa de ”All-New Marvel Now! Point One 1”

Para quem gosta de ação, a primeira história é um prato cheio, pois são poucos os quadrinhos onde nossa agente preferida não está lutando. É muito bom poder ler e ver o quanto a Natasha (amo esse nome) é poderosa, inteligente, incrível. Mas, por outro lado, a HQ cansa no sentido de ainda não ter apresentado um roteiro muito forte no meu ponto de vista. Ah, e é uma aventura com quase zero de humor. Só vi uma piada relacionada ao Banner e eu já fiquei feliz porque sou o tipo de pessoa que “shippa” muito os dois.
No que diz respeito a arte, bom, não gostei muito. As cores são escuras e precisei olhar bem de perto na maioria das vezes para entender o que estava acontece naquela cena. Lembrando, pessoal, que não sou especialista em quadrinhos; então, não me julguem!
Em breve, voltarei com o volume 2 para vocês.
“Malfeito feito.”

Dados da revista: volume 1 | Panini | 2016 | 148 páginas



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Resenha {Livro} Isla e o Final Feliz (Stephanie Perkins)

Sinopse: Tímida e romântica, Isla tem uma queda pelo introspectivo Josh desde o primeiro ano na SOAP, uma escola americana em Paris. Mas sua timidez nunca permitiu que ela trocasse mais do que uma ou duas palavras com ele, quando muito.
Depois de um encontro inesperado em Nova York durante as férias envolvendo sisos retirados e uma quantidade considerável de analgésicos, os dois se aproximam, e o sonho de Isla finalmente se torna realidade. Prestes a se formarem no ensino médio, agora eles terão que enfrentar muitos desafios se quiserem continuar juntos, incluindo dramas familiares, dúvidas quanto ao futuro e a possibilidade cada vez maior de seguirem caminhos diferentes.
O que dizer sobre a Stephanie Perkins... Tive um amor à primeira vista por ela em Lola, e em Anna eu soube que leria tudo dela (sim, até a lista de supermercado e algum lembrete fofo que ela deixou), e foi uma empolgação quando ela divulgou que ia ter mais um livro nesse universo, o que me levou com facilidade a querer ler Isla. Porém tudo ficou meio confuso quando terminei o livro, talvez tenha sido eu que mudei desde a última vez em que li seus livros; eu realmente não consegui entender, mas o que eu conclui foi: eu não gostei tanto de Isla.

Isla começa muito como aquelas meninas de muitos clichês por aí em que só se fala sobre o menino pelo qual ela está apaixonada, o que me no começo não via problema nenhum; mas quando vi que sabia mais sobre a vida de Josh do que da personagem narradora, comecei a ficar frustrada. Eu sei que a Stephanie Perkins ama clichês, mas acho que dessa vez ela não soube colocar bem isso de uma “boa” forma.
A protagonista tem características realmente preocupantes, além do fato de ela só falar sobre Josh, que de uma maneira exageradamente rápida começam a namorar, ela sabia que coisas sobre a vida dele que só uma stalker saberia, o que a deixou bem obsessiva em relação a ele, e que por conta disso a fazia agir de maneira meio imatura, principalmente quando se tratava de seu melhor amigo Kurt, e isso tudo me fez questionar o porquê da escolha do nome da personagem principal compor o Final Feliz, se, ao meu ver, esse Feliz no inicio do livro ser bem exagerado.
Porém depois de um ponto tudo mudou, e foi a partir dessa mudança que eu comecei a gostar do livro.
Eu senti o amor que eu tenho por tudo que a Perkins escreve, e o rumo do livro, assim como Isla, que possui vários questionamentos, agora não só sobre Josh e ela, mas também sobre como suas futuras decisões e o como será o rumo de tudo, e eu sinto o que ela sentiu; ela percebeu que sua vida não era só seu namorado e que todas as suas dúvidas poderiam ser resolvidas somente consigo mesma. Isso fez mudar sua personalidade completamente, e não existe melhor jeito de mudar a si quando é para nós mesmos e não por outra pessoa.
E foi aí que entendi o Final Feliz. Foi tudo lindo, e quando vi as participações das outras protagonistas (Anna e Lola), eu não consegui parar de chorar, tudo me fazia chorar, e foi assim até a última página!

Esse livro não tem como eu dar nota, um “três” seria injusto com o final e um “quatro” ou “cinco” não chega nem aos pés do começo do livro.
Como disse um colega meu, Henri B. Neto, do canal Na Minha Estante, “Queria que o livro se parecesse menos com Anna e lembrasse mais Lola - e, no fim, não foi nenhum dos dois. No fim, Isla seguiu o próprio caminho.
299 páginas | 1ª edição | 2015 | Intrínseca


sábado, 26 de novembro de 2016

Resenha {Livro} O Chamado do Cuco (Robert Galbraith)

Sabe aquele livro que você termina e fica tipo: "PORQUE EU NÃO LI ISSO ANTES"?? Então, foi exatamente assim que eu fiquei após concluir a leitura de O chamado do cuco. 
Eu soube da existência desse livro em 2014, mais ou menos quando foi revelado que tinha sido escrito pela diva suprema J.K. Rowling sob o pseudônimo de Robert Galbraith, e fiquei LOUCA pra ler logo; e fiquei toda empolgada quando o ganhei. Mas o tempo foi passando e acabei deixando o livro de lado. Eis então que este ano eu e a equipe do blog resolvemos propor o Cruciatus Challenge (saiba mais aqui), e como um dos gêneros para o desafio era policial não pensei duas vezes e peguei-o para ler. Devorei-o em alguns dias e trago hoje a resenha dele pra vocês ;)

O chamado do cuco começa com nada mais nada menos que a morte da famosa modelo Lula Landry, que supostamente havia se suicidado ao jogar-se da sacada de seu prédio. A mídia está em polvorosa enquanto as autoridades investigam o acidente, a que chegam a conclusão de ter sido de fato suicídio. 

"Uma luz fria banhava o interior da tenda. Dois homens estavam agachados ao lado do corpo, prontos para, enfim, transferi-lo para um saco mortuário. A cabeça da mulher sangrara um pouco na neve. O rosto estava esmagado e inchado, um olho reduzido a uma prega, o outro mostrando uma lasca de branco opaco por entre as pálpebras distendidas. Quando o top de lantejoulas que ela vestia cintilava nas leves alterações da luz, dava a impressão inquietante de movimento, como se ela voltasse a respirar ou retesasse os músculos, pronta para se levantar. A neve caía em toques suaves de pontas de dedos na lona no alto."
(Robert Galbraith, p. 12)

Entretanto o irmão de Lula, John Bristow, conhecendo bem a irmã, acredita que ela não havia se matado, mas que tinha sido na verdade vítima de assassinato e fizeram parecer suicídio. Eis então que ele contrata os serviços do detetive particular Cormoran Strike. 
A vida de Cormoran Strike está um verdadeiro caos! Ex-militar, acabara de ser expulso da casa da ex-noiva (que por sinal me pareceu uma chata desde o começo) e agora mora no escritório. Sofrendo para pagar o aluguel por não ter pegado nenhum grande caso recentemente, Strike vê no caso de Lula uma oportunidade de se reerguer - mesmo que temporariamente - financeiramente. E assim, munido das anotações de Bristow, Strike iniciará uma busca aprofundada sobre a trágica e misteriosa morte da modelo.

Narrado em terceira pessoa, o livro vai nos mostrando o desenrolar da trama sob vários pontos de vista: a morte de Lula, a vida conturbada de Strike e ainda as mais recentes descobertas da nova secretária temporária do detetive, a Robin, que entre um emprego temporário e outro, até conseguir um fixo, acaba indo trabalhar para Cormoran; e ambos acabam tendo uma sintonia imediata, ajudando-se mutuamente tanto na investigação da morte da modelo quanto na vida pessoal de cada um.
Este é aquele livro de "camadas": um bom romance policial mas que também aborda diversos aspectos que não só o investigativo, como o próprio ser humano e os limites a que a fama pode ou não levá-lo. Uma prova incontestável da genialidade de J.K. Rowling, que mostrou-se incrível em tudo que escreve (essa mulher, gente <3)

Leiam também e depois me digam o que acharam ;)

"Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-las para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica."
(Robert Galbraith, p. 375)

447 páginas | 1ª edição | 2013 | Rocco